A consagração de uma sambista
Fazer um disco com os bambas do samba é uma tarefa audaciosa, visto que essa rapaziada costuma limar sem piedade aqueles que não atingem um nível de excelência exigível dentro do segmento. Fazer show então... é uma ‘responsa’. Subir num palco acompanhado dos melhores músicos, os mais cotados, aqueles que todos os grandes nomes, os residentes assíduos das suítes luxuosas da música brasileira requisitam é pra lá de preocupante. Esse povo não toca com qualquer um, pode crer. Para estar no palco, junto, tem que ter no mínimo a mesma competência. Isso a cantora Célia Silva demonstrou que tem sobrando, na noite de lançamento de seu quarto disco, Novamente, no palco do Teatro Rival Petrobras.
À vontade, como se estivesse no quintal de sua casa, a cantora comandou a festa, fez e aconteceu, além do scritp. A cozinha tocava rindo, se divertindo, como numa festinha descontraída entre amigos, só faltou a feijoada. Até nas improvisações, caso de Dona Ivone Lara que resolveu puxar ...’ sonho meu, sonho meu... vai buscar quem mora longe, sonho meu...’ os profissionais tiraram de letra (também quem é que não conhece esse mega sucesso de Dona Ivone?). Aliás, essa passagem foi marcante. Emoção única que todos nós, público, tivemos ao ver uma senhora, quase centenária (e já imortalizada na cultura brasileira), sendo trazida ao palco, escorada por duas outras pessoas e colocada numa cadeira, no meio do palco. Logo em seguida, Célia Silva canta e Dona Ivone Lara acompanha em vocalize, sedenta de música. A vontade de estar ali, dividindo o palco com Célia era tão grande, que ao encerrar sua participação alertou: Vou cantar mais uma. Foi de arrepiar! A impressão que se teve, foi de que, se deixasse, ela não saia mais de lá... Isso é que é felicidade!
As canjas também aconteceram com outros grandes nomes, como o cantor André Leonno, a turma do Batuque Na Cozinha, a Velha Guarda da Portela (Monarco, Tia Zurita e todos os outros) e com o gaitista, maestro e arranjador Rildo Hora que além do duo com a cantora também teve seu momento solo em composição dele com Sergio Cabral (o jornalista, o pai, não o filho, Governador). Noite de samba, noite de bamba, noite de consagração da cantora e compositora Célia Silva, que merecidamente recebeu os aplausos calorosos do público.
OBS: O disco é bom páca!!!
Antonio Braga
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