Rock In Rio Lisboa

O sonho continua. O Rock in Rio, festival de música idealizado pelo empresário brasileiro Roberto Medina, este ano se transporta pela quarta vez do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, para o cenário também luminoso das margens do rio Tejo, em Lisboa. Nos dias 21, 22, 27, 29 e 30 de Maio muitas milhares de pessoas vão estar no Parque da Bela Vista assistindo a apelativos mega-shows e se confraternizando em torno do conceito "Rock in Rio Por um Mundo Melhor".

No apogeu da primavera do hemisfério norte e no que tem sido um sempre muito esperado pelos portugueses 'acontecimento bienal', desfilarão nos palcos do Rock in Rio, entre outros, Shakira, John Mayer, Leona Lewis, Snow Patrol, Miley Cyrus e Motorhead. Ter um cartaz bem recheado de grandes astros é preocupação do Rock in Rio desde a sua primeira realização na Cidade do Rock, em 1985 - na Barra da Tijuca. Falando ao JG News, Nuno Sousa Pinto, Diretor de Produção do evento afirma que "ao longo dos seus 25 anos o Rock in Rio pretendeu sempre apresentar os melhores nomes da música, querendo atingir públicos ecléticos, de várias idades". Quando confrontamos Nuno Sousa Pinto com a praticabilidade de reunir em torno da música pessoas de várias gerações ele foi terminante: "pretendemos atingir todo o público. O festival é para todos, a nível de idades e de ideologias. Nós desejamos até abraçar as famílias, dizendo, venham todos ao Rock in Rio".

Os conceitos do Rock in Rio têm sido madurados ao longo dos anos mas basicamente já estão presentes desde a sua primeira edição. Danyel Guerra, um carioca radicado no Porto, jornalista e escritor, acompanhou no "rockódromo" da Barra da Tijuca, em época de alvor da Nova República, a primeira edição do festival. Ele reportou, então, em Portugal, através do Jornal de Notícias as suas impressões sobre a iniciativa de Roberto Medina, e lembra agora o caráter de festa e liturgia que teve o que considerou "uma espécie de Woodstock tropical, revestido de alguns importantes protagonistas do rock, já sem o espírito do flower power mas virado para a realidade social que se vivia". E mostra a sua vontade de estar presente este ano no Rock in Rio que considera "consegue palcos alternativos para o rock e a música alternativa, enquanto pisca o olho ao mainstream e a nomes já consagrados".

A liturgia a que Danyel se refere encontra uma imagem similar nas palavras de Nuno Sousa Pinto que fala de "um espírito de comunhão coletiva que se vive no Rock in Rio a pretexto da música".

O clã Medina tem papel importante numa dinâmica luso-brasileira que se criou. Roberto Medina é o Presidente da estrutura, sendo seus filhos Roberta e Rudolfo respetivamente, Vice-Presidente Executiva e Vice-Presidente, Marketing & Comercial. Nuno Sousa Pinto diz que "além do apoio dado no Brasil pela empresa Artplan, temos cerca de cinquenta pessoas trabalhando aqui, portugueses e brasileiros". E os artistas brasileiros estão presentes no Rock in Rio Lisboa? Nuno diz-nos: "Roberto Medina sempre quer dar um toque da sua terra, da sua nação. E é através da música que fazemos isso. Desde 2004, data da primeira edição portuguesa, contamos com participação de Ivete Sangalo, adorada pelo público português, e de outros artistas do Brasil. Este ano, além da Ivete, teremos Maria Rita, Martinho da Vila, Zeca Baleiro, Toni Garrido dentre outros. O Rock in Rio nasceu no Brasil e pretendemos prestigiar isso".

Algumas das presenças brasileiras terão lugar no palco Sunset, que dividirão com músicos e cantores portugueses. Quem for ao Parque da Bela Vista pode assistir a shows de Rui Veloso com Maria Rita (dia 22), Jorge Palma com Zeca Baleiro (dia 27), Tiê com Thiago Bettencourt & Mantha ou Luís Represas com Martinho da Vila (dia 29).

No Sunset, no espaço para as modernas músicas eletrônicas ou no palco Mundo, uma miríade de importantes presenças estão confirmadas mas não pode deixar de sobressair que o Rock in Rio reunirá novamente em palco, os Trovante, um dos mais importantes grupos da música portuguesa (dia 22). Com um percurso notável de qualidade e popularidade, os Trovante entretanto se separaram e a sua comparência no Rock in Rio está a ser aguardada com expetativa.

Álvaro Costa, apresentador de rádio e televisão em Portugal, sempre atento aos acontecimentos musicais pop e rock, afirma: "este é sem dúvida, o festival português que apresenta melhor som e imagem" e enfoca a "qualidade elevada dos serviços prestados". Por isso, diz Álvaro, "em tempos de crise na economia portuguesa as pessoas continuam a investir em ir ao festival, sabendo que vão encontrar num local magnífico bons momentos de evasão e entretenimento". O apresentador não deixa de assinalar "que muitos portugueses, por vezes até famílias, têm já orçamento certo para o Rock in Rio".

Sendo as vendas antecipadas de seus ingressos um êxito e com o evidente interesse dos portugueses, o Rock in Rio demonstra uma grande aceitação. O Dr. Luís Humberto Marcos, diretor do Museu Nacional da Imprensa e professor universitário de Ciências da Comunicação, ajuda também a entender este caso de sucesso, enfatizando: "a mediatização do evento é importante mas a qualidade e a organização é que marcam o sucesso de uma iniciativa como esta. E a força do Rock in Rio se relaciona com a mobilização por causas que são preocupação dos cidadãos. Tendo o lema POR UM MUNDO MELHOR, e contribuindo para motivos como os ambientais, cria-se uma harmonização extraordinária. A música já é uma das marcas do humanismo mas com tudo isso se contribui para criar momentos de felicidade".

Esses momentos de felicidade estarão também em Espanha no Rock in Rio Madrid, nos próximos dias 4, 5, 6, 11 e 14 de Junho. Uma marca de origem brasileira vai-se espalhando em vários azimutes. Diz Nuno Sousa Pinto: "Em 2004 viemos para Portugal com um projeto definido de internacio-nalização. Isso já se conseguiu e vai prosseguir, pois existem vários países interessados em receber o Rock in Rio. Sem esquecer que breve queremos voltar ao Brasil". (Por Alberto Guimarães)