Com a palavra, Marcelo Crivela


Com a agenda lotada de compromissos, entre uma reunião e outra, o Senador/Cantor/Compositor e Pastor Marcelo Crivela concede entrevista exclusiva ao jornalista Antonio Braga. Dentre outros assuntos, Crivela revela seus projetos como parlamentar, elogia o Presidente Lula e fala de sua carreira artística.


Existe um projeto seu sobre a Renovação das Concessões apenas para rádios adimplentes. Em que estágios está esse Projeto?
Está num estágio inicial e encontra resistência de alguns Senadores que são donos de emissoras de rádio e não querem pagar o Ecad. Seria importante que os artistas se mobilizassem para ajudar o projeto a andar. Segundo ouvi, 37% do Senado tem interesses diretos ou indiretos com rádios e esses acham que a cobrança dos direitos autorais é injusta. O político só consegue avançar nessas questões se tiver o apoio da classe interessada. Outras categorias mais politizadas, como a dos trabalhadores metalúrgicos, por exemplo, levam suas questões aos políticos e fazem pressão para que as coisas aconteçam. Os artistas são diferentes, são poetas, acham que as coisas vão se resolver como a chuva cai do céu ou como o sol nasce a cada manhã. Tem também aqueles artistas, já consagrados, que acham que vão bater de frente com emissoras de rádio e televisão e aí não vão mais tocar as músicas deles. O que deveria também acontecer é uma iniciativa de apoio ao projeto por parte das emissoras que pagam os direitos autorais, pois elas estão pagando pelas inadimplentes. Quanto maior o número de emissoras pagando menor fica o valor do ponto. Na época, apresentei o projeto ao Gilberto Gil, que era ministro, e poderia tornar esse projeto uma medida provisória, mas ele não o fez.

Carlos Colla e Michael Sullivan são seus parceiros mais constantes. Como começou a parceria com esses grandes autores?
O Sullivan... fomos vizinhos há muitos anos, no condomínio Santa Mônica (Barra da Tijuca). E, aí começou o contato. Depois gravei uma música dele chamada "Amor Maior" no CD que fiz pela Sony Music. A partir dali passamos a compor juntos. Mais tarde tive a oportunidade de ir com ele à Fazenda Nova Canaã onde passamos alguns dias e os nossos laços se estreitaram. Ele me ajudou muito a concluir esse projeto fazendo muitos shows por todo o Brasil. O Colla eu conheci mais tarde, através do Sullivan. Fizemos algumas parcerias, há uns 10 anos, quando estava gravando o CD 'Coração a Coração'. Foi uma afinidade muito grande, pois temos a mesma visão de Brasil.

Qual foi seu maior sucesso? Em que ano aconteceu? Quanto rendeu?
Eu não saberia dizer qual foi o maior sucesso. O CD que mais vendeu foi o 'Mensageiro da Solidariedade', na época que estávamos construindo a Fazenda Canaã - o primeiro pela Sony Music - que vendeu um milhão e meio de cópias. Antes dele também tive um CD que vendeu mais de um milhão de cópias, pela Line Re-cords, 'Perfume Universal' e acho que essa é a música de maior sucesso, pois tem versões em várias partes do mundo.

O senhor já esteve entre os autores de maior rendimento junto ao Ecad, ficando atrás apenas de Roberto Carlos. Atribui esse sucesso ao crescimento da música gospel ?
Atribuo isso a imensa generosidade do público gospel que, evidentemente, cresce na mesma proporção que a qualidade da música gospel evolui.

Quantos discos o artista Marcelo Crivella já vendeu até hoje?
Mais de 10 milhões - contando aqui e na África. Na África ganhei um disco de ouro gravado pela EMI, em 1997/98.

Vamos entrar um pouco em política, já que o artista Marcelo Crivela também é Senador da República. Como o Senador está posicionado referente à pirataria?
Há um grande esforço no congresso para conter a pirataria, que não ajuda ninguém e prejudica os autores, os músicos, a indústria fonográfica e o governo. Quando alguém compra um produto pirata está prejudicando todo mundo e a si mesmo. Está admitindo um crime, e fazendo parte da margi-nalidade que cresce no país. Falta consciência coletiva. Isso aumenta a pobreza. O Governo Lula tem dado uma boa contribuição para abaixar a pirataria com o aumento de emprego. Na crise que nós tivemos do petróleo, na década de 70, aumentou em um milhão o número de pobres no Brasil. Na época da hiperinflação, do Presidente Sarney, aumentou em dois milhões. Na época da crise cambial, do Presidente Fernando Henrique Cardoso, aumentou em milhares o número de pobres. Com o Lula, mesmo com a crise financeira mundial acentuada, nós criamos empregos. No mês de setembro criamos 250 mil empregos com carteira assinada. O Governo Lula é campeão em geração de empregos. Diminui a pobreza, diminui a pirataria.

O Projeto Canaã, sustentado, inicialmente, pela venda de seu primeiro disco, hoje é modelo para quaisquer outros projetos que vise aproveitar terras do semi-árido nordestino. O governo, a partir do seu empreendimento, fez alguma coisa semelhante pelo nordeste? O que faltou, na sua opinião, para que outros 'Canaãs' acontecessem?
Eu conversei com duas pessoas importantes sobre a reforma agrária brasileira e sobre a Fazenda Canaã: uma foi o Presidente da República e o outro foi João Pedro Stédile (líder do MST). O Stédile ficou maravilhado. Hoje no Brasil existem seis mil assentamentos da reforma agrária, a maioria deles são favelas rurais, onde não têm assistência médica, não têm formação técnica, não têm apoio à produção. O Projeto Nordeste deu um exemplo para o país de que é possível fazer. Ali as casas são de qualidade, tem restaurante que serve a todos, as crianças estudam numa escola que nem no Rio de Janeiro existe uma escola pública semelhante. Tem transporte escolar. As crianças têm café da manhã, almoço, lanche à tarde e ainda levam para casa o pãozinho (um saquinho de pão). Todas têm uniforme, que é lavado e passado na lavanderia da escola (porque na casa delas não tem água); tratamento dentário; oftalmologistas; piscinas (uma delas olímpica); campo de futebol; brinquedoteca; aula de teatro; aula de computador enfim, elas têm acesso ao que há de melhor na educação: da pré-escola ao ensino fundamental. O Stédile me disse que não há em nenhum assentamento da reforma agrária uma escola como a nossa. Lula prometeu ir conhecer. Está devendo essa...

No coração, quem fala mais alto: Marcelo Crivela Senador, ou Marcelo Crivela Artista Gospel?
É o Pastor, que canta levando as pessoas ao encontro de Deus.

Como andam as obras do Projeto Morro da Providencia?
Muito bem! A idéia do Cimento Social é unir a cidade do Rio, que a exemplo de muitas outras no Brasil está dividida em duas, dentro de si mesma. Duas irmãs siamesas e monstruosas, que não vivem uma sem a outra. De um lado rica, do outro, abaixo da linha da pobreza. De um lado uma cidade formal e bonita e, numa distância constrangedora, as favelas indignas, onde crianças crescem com o estigma de cidadãos de segunda, vivendo uma sub-vida, num sub-mundo de frustrações. Daí vem a violência, que faz de todos nós reféns e atrasa nosso desenvolvimento econômico, social e cultural. A idéia do Cimento Social é ajudar as famílias que residem nas favelas a terminarem suas casas com estabilidade estrutural e funcionalidade arquitetônica - dentro da realidade local. Tenho realizado obras no Morro da
Providência (primeira favela do Brasil) com recursos próprios, para estabelecer um exemplo viável para os governos estaduais e municipais do Brasil.

Marcelo Crivela por Marcelo Crivela.
Um inconformado em ver que num país tão bonito e rico existe e persiste tanta miséria. Entrei para a política para construir um Brasil mais justo, um Brasil menos desigual. E isso começou com o governo do Presidente Lula e espero que continue com a Ministra Dilma.
Padre Fábio de Melo:
O fenômeno da atualidade


Padre Fábio de Melo, nascido em 3 de abril de 1971, filho do construtor Dorinato Bias da Silva e da dona de casa Ana Maria Melo Silva, cresceu em Formiga, MG, com seus oito irmãos, sendo Fábio o caçula. Aos 16 anos entrou para o seminário em Lavras, MG. Desde criança despontou o desejo de ser padre.
Hoje, ídolo da música cristã, já colocou no mercado 12 discos - 10 de ouro, sendo também dentre estes, 4 de platina - e um DVD de Diamante. "Eu e o Tempo", lançado em maio pela LGK Music.
O CD "Vida", de 2008 e o recente CD/DVD contam com a regravação da música 'Pai', de autoria de Fábio Jr, que jamais havia autorizado qualquer outro artista a gravá-la:
'Não conheço pessoalmente o Fábio jr, porém admiro muito seu trabalho. "Pai" é de uma sensibilidade incrível, que retrata a saudade a partir do cotidiano - "Senta aqui que o jantar está na mesa" - este convite é lindo!! A mesa é o lugar da intimidade, da devolução. Fábio Jr é um artista completo um dos mais bem sucedido do país', ressalta.
Segundo Padre Fábio de Melo, o sucesso da música católica deve-se ao Padre Zezinho: 'É impossível falar de música católica sem nos reportarmos à sua obra. Ele é o grande precursor de tudo o que hoje experimentamos', explica
Nascido na mesma cidade que o escritor Silviano Cavalcanti e leitor confesso do mesmo. 'Já li "Vale quanto pesa", "Uma literatura nos trópicos", " Herança", e a belíssima obra "Em liberdade", em que o autor investiga a alma de Graciliano Ramos após a experiência do cárcere', declara.
Padre Fábio de Melo também escreveu alguns livros como: 'Tempo, saudades e esquecimentos' - Ed Paulinas - livro de crônicas que trabalha algumas questões teológicas a partir do cotidiano; ' Amigo - Somos muitos, mesmo sendo dois' - Ed Gente - livro de frases e fotos que fala de amizade; 'Quem me roubou de mim?' - Ed Canção Nova - trata das relações que despersonalizam; 'Mulheres de aço e de flores' - Ed Gente - primeira obra de literatura do autor - contos que exploram o universo feminino e 'Quando o sofrimento bater à sua porta' - Ed Canção Nova - aborda a questão do sofrimento na vida humana e "Cartas entre amigos - sobre medos contemporâneos", com Gabriel Chalita - da Ediouro.
'A música é um importante instrumental para o trabalho de evangelização e também concilia o meu ser 'padre' com minha musicalidade. Assim, o cotidiano dos seres humanos me inspira a cada composição. Não há, no meu dia-a-dia nada de mais, porém a arte permite enxergar além da beleza e de todas as realidades. Deus mora na simplicidade.
Realizando meu trabalho, inevitavelmente, como padre, tenho que atender pedidos de emissoras de televisão e outros meios de comunicação, o que me coloca em evidência. Faz parte. É também uma forma mais rápida de levar a fé ao mundo.
O sucesso do nosso trabalho, e digo nosso me referindo a outros Padres que o fazem - como o Padre Marcelo Rossi, por exemplo - é saber que esse trabalho fez alguém feliz - essa é a meta principal, o resto é conseqüência', analisa.
Perguntado numa entrevista sobre a notoriedade que ganhou com seu último trabalho, Padre Fábio de Melo responde:
'Tornar público o meu jeito de evangelizar é uma forma de me comprometer ainda mais com a seriedade que eu preciso ter.

Um líder religioso atua num limite muito tênue entre imagem pessoal e conteúdo que anuncia. O grande problema é a notoriedade que pode me fazer esquecer quem eu sou. É contra isso que preciso lutar'.
No repertório de seus discos e shows músicas não evangelizadoras, de autores populares como Fábio Jr, Carlos Colla dentre outros, aparecem e fazem grande sucesso na interpretação de Fábio de Melo. Questionado sobre o assunto, e sobre a posição da igreja, explica:
'Canto músicas con-textualizadas no horizonte cristão. A boa música brasileira é naturalmente religiosa, pois une poesia, valores e belas melodias. A Igreja não se opõe aos que anunciam o Evangelho com seriedade. Procuro fazê-lo da melhor forma possível'.
Padre Fábio de Melo estudou Filosofia, Educação, Teologia, é professor universitário, e alega que fez tudo isso para qualificar seu discurso. Em sua opinião, 'Padre tem que ter cultura para atender e entender bem a sociedade'.
Considerado um Padre bonitão, que tira suspiros das fãs fiéis, reluta contra o adjetivo e replica dizendo que: 'o sucesso incomoda quando é reduzido à minha aparência'. Fica triste quando as pessoas julgam-no sem o conhecerem. Entretanto entende, pois todo mundo que é público sofre com esse problema.

Como era no seminário? Podia cantar suas músicas? Como foi que conseguiu fazer uma carreira artística? Essas perguntas são constantes em suas entrevistas. Sereno, como sempre, responde: 'No seminário nunca fui do tipo convencional. Fui buscando minha autenticidade, pois o risco de se viver em comunidade é tender à desperso-nalização. Rezei para não me perder de mim mesmo. Mostrei meus dons e fiz entender que poderiam ajudar na evangelização'.
12 discos - 10 de ouro, 4 de platina e DVD de Diamante. Onde o Padre Fábio de Melo encontrou esse público? Todos os seus discos estavam focados na Evangelização. Teve ótimos produtores que deram o melhor de si, cada um. Gravou projetos culturais (2) resgatando músicas de raiz, e um outro projeto chamado "Tom de Minas" - homenagem à terra natal. Quem é o seu público? São desde as crianças aos idosos, enfim, todos nós.
E a batina? Por que o Padre não usa a batina nos shows? A identidade de um padre não está no seu jeito de vestir, e sim no seu jeito de viver. 'Não uso batina', declara.
A pergunta final da entrevista foi a seguinte:
A evangelização está passando pela internet. Vale qualquer tipo de meio de comunicação para atingir os objetivos de levar a mensagem de Cristo ao mundo?
E a resposta foi essa: Vale, claro. No tempo de Cristo só existia a palavra. Para se ter uma idéia, só neste mês tivemos quase três milhões de acessos no meu blog. Uma palavra pode mudar uma vida. O bem a ser feito começa no bem a ser dito.
Parabéns Padre Fábio de Melo, pelo belo trabalho de evangelização e pelo lindo CD/DVD.
(Antonio Braga)


PADRE FÁBIO DE MELO - EU E O TEMPO
CD / DVD - LGK MUSIC
Padre Fábio de Melo, Mestre em Antropologia Teológica, foi ordenado Padre em 2001 e atua na Diocese de Taubaté, interior de São Paulo. Como cantor, gravou discos pela Paulinas-Comep e seu primeiro discos por uma gravadora secular, "Vida", lançado em 2008 pela LGK Music / Som Livre alcançaram a impressionante marca de 800 mil cópias vendidas.
Autor de vários livros (que já se tornaram best-sellers) Padre Fábio também exerceu a profissão de professor universitário, lecionando Teologia na Faculdade de Taubaté. Também apresenta o programa Direção Espiritual, na TV Canção Nova, toda quinta-feira, às 22:30 horas. Gravado no Canecão (RJ) no dia 08 de janeiro de 2009, chegou às lojas de todo o Brasil o mais recente lançamento do Padre, "Eu E O Tempo", pela LGK Music, trazendo o registro ao vivo da turnê "Vida", em CD e DVD. O CD, com 15 faixas, produzido por Liber Gadelha, traz os hits que fizeram com que o último trabalho do Padre alcançasse picos de venda e execuções em rádio: 'Tudo é do Pai", "Humano Demais", "Pai", "Vida", entre outras. Com arranjos e regências de Mauricio Pasiacollo, "Eu e o Tempo" é um belo disco onde o grande pastor de almas dos dias de hoje nos brinda com sua bela voz e nos conduz para as altas esferas de Deus, e que com suas palavras simples traz mensagens ao corações carentes. Já o DVD traz a íntegra do show, separado por quadros temáticos: o primeiro momento do espetáculo é a festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre a Terra e as canções que ilustram este momento são: "As Estações da Vida" (Fábio de Melo); "Ruah, Um Sopro de Vida" (Edu Colvara/André Costa/Rodrigo Grecco); "Vida" (Rosa Giron/C.Gomez/Escolar/Claudio Rabello); "Tudo é do Pai" (Frederico Cruz).
O segundo quadro é o Advento, quando o Espírito se prepara para a Glória, e é resumido nestas canções: "Mais Perto" (Fábio de Melo); "Eu Espero" (Fábio de Melo); "Tudo Posso" (Celina Borges) e "Todo Homem é Bom" (Rodrigo Grecco). No terceiro quadro vem a Epifânia, afirmação da Fé, descrito nas músicas: "Cântico das Criaturas" (D.P.); "Cara de Família" (Rodrigo Grecco); "Deus é Pai" (Fábio de Melo), " Pai" (Fábio Jr.) e "O Caderno" (Toquinho/Lupiscinio Rodrigues). O Quarto momento é a Quaresma, tempo de penitência, sacrifício e humildade: "Humano Demais" (Fábio de Melo); "Contrários" (Fábio de Melo) e "Tem Calma" (Martin Valverde/Fabio de Melo). O Novo tempo é a Páscoa, que representa a Ressurreição, a volta do Pai: "Deus é Capaz"(Walmir Alencar); "Arvoreando"(Maninho) e "Humano Amor de Deus" (Fábio de Melo). E, fechando o ciclo volta-se à festa de Pentecostes, onde mais uma vez os raios divinos são espargidos sobre o povo. É o grande momento de todos cantarem juntos "Mil Vezes Santo" (Fábio de Melo). O DVD traz ainda entrevistas, making of do show, galeria de fotos, discografia com várias opções de legenda e áudio, além de um bonus track: "Filho do Céu". (L. Anchieta)


Com a palavra, Marcelo Crivela


Com a agenda lotada de compromissos, entre uma reunião e outra, o Senador/Cantor/Compositor e Pastor Marcelo Crivela concede entrevista exclusiva ao jornalista Antonio Braga. Dentre outros assuntos, Crivela revela seus projetos como parlamentar, elogia o Presidente Lula e fala de sua carreira artística.


Existe um projeto seu sobre a Renovação das Concessões apenas para rádios adimplentes. Em que estágios está esse Projeto?
Está num estágio inicial e encontra resistência de alguns Senadores que são donos de emissoras de rádio e não querem pagar o Ecad. Seria importante que os artistas se mobilizassem para ajudar o projeto a andar. Segundo ouvi, 37% do Senado tem interesses diretos ou indiretos com rádios e esses acham que a cobrança dos direitos autorais é injusta. O político só consegue avançar nessas questões se tiver o apoio da classe interessada. Outras categorias mais politizadas, como a dos trabalhadores metalúrgicos, por exemplo, levam suas questões aos políticos e fazem pressão para que as coisas aconteçam. Os artistas são diferentes, são poetas, acham que as coisas vão se resolver como a chuva cai do céu ou como o sol nasce a cada manhã. Tem também aqueles artistas, já consagrados, que acham que vão bater de frente com emissoras de rádio e televisão e aí não vão mais tocar as músicas deles. O que deveria também acontecer é uma iniciativa de apoio ao projeto por parte das emissoras que pagam os direitos autorais, pois elas estão pagando pelas inadimplentes. Quanto maior o número de emissoras pagando menor fica o valor do ponto. Na época, apresentei o projeto ao Gilberto Gil, que era ministro, e poderia tornar esse projeto uma medida provisória, mas ele não o fez.

Carlos Colla e Michael Sullivan são seus parceiros mais constantes. Como começou a parceria com esses grandes autores?
O Sullivan... fomos vizinhos há muitos anos, no condomínio Santa Mônica (Barra da Tijuca). E, aí começou o contato. Depois gravei uma música dele chamada "Amor Maior" no CD que fiz pela Sony Music. A partir dali passamos a compor juntos. Mais tarde tive a oportunidade de ir com ele à Fazenda Nova Canaã onde passamos alguns dias e os nossos laços se estreitaram. Ele me ajudou muito a concluir esse projeto fazendo muitos shows por todo o Brasil. O Colla eu conheci mais tarde, através do Sullivan. Fizemos algumas parcerias, há uns 10 anos, quando estava gravando o CD 'Coração a Coração'. Foi uma afinidade muito grande, pois temos a mesma visão de Brasil.

Qual foi seu maior sucesso? Em que ano aconteceu? Quanto rendeu?
Eu não saberia dizer qual foi o maior sucesso. O CD que mais vendeu foi o 'Mensageiro da Solidariedade', na época que estávamos construindo a Fazenda Canaã - o primeiro pela Sony Music - que vendeu um milhão e meio de cópias. Antes dele também tive um CD que vendeu mais de um milhão de cópias, pela Line Re-cords, 'Perfume Universal' e acho que essa é a música de maior sucesso, pois tem versões em várias partes do mundo.

O senhor já esteve entre os autores de maior rendimento junto ao Ecad, ficando atrás apenas de Roberto Carlos. Atribui esse sucesso ao crescimento da música gospel ?
Atribuo isso a imensa generosidade do público gospel que, evidentemente, cresce na mesma proporção que a qualidade da música gospel evolui.

Quantos discos o artista Marcelo Crivella já vendeu até hoje?
Mais de 10 milhões - contando aqui e na África. Na África ganhei um disco de ouro gravado pela EMI, em 1997/98.

Vamos entrar um pouco em política, já que o artista Marcelo Crivela também é Senador da República. Como o Senador está posicionado referente à pirataria?
Há um grande esforço no congresso para conter a pirataria, que não ajuda ninguém e prejudica os autores, os músicos, a indústria fonográfica e o governo. Quando alguém compra um produto pirata está prejudicando todo mundo e a si mesmo. Está admitindo um crime, e fazendo parte da margi-nalidade que cresce no país. Falta consciência coletiva. Isso aumenta a pobreza. O Governo Lula tem dado uma boa contribuição para abaixar a pirataria com o aumento de emprego. Na crise que nós tivemos do petróleo, na década de 70, aumentou em um milhão o número de pobres no Brasil. Na época da hiperinflação, do Presidente Sarney, aumentou em dois milhões. Na época da crise cambial, do Presidente Fernando Henrique Cardoso, aumentou em milhares o número de pobres. Com o Lula, mesmo com a crise financeira mundial acentuada, nós criamos empregos. No mês de setembro criamos 250 mil empregos com carteira assinada. O Governo Lula é campeão em geração de empregos. Diminui a pobreza, diminui a pirataria.

O Projeto Canaã, sustentado, inicialmente, pela venda de seu primeiro disco, hoje é modelo para quaisquer outros projetos que vise aproveitar terras do semi-árido nordestino. O governo, a partir do seu empreendimento, fez alguma coisa semelhante pelo nordeste? O que faltou, na sua opinião, para que outros 'Canaãs' acontecessem?
Eu conversei com duas pessoas importantes sobre a reforma agrária brasileira e sobre a Fazenda Canaã: uma foi o Presidente da República e o outro foi João Pedro Stédile (líder do MST). O Stédile ficou maravilhado. Hoje no Brasil existem seis mil assentamentos da reforma agrária, a maioria deles são favelas rurais, onde não têm assistência médica, não têm formação técnica, não têm apoio à produção. O Projeto Nordeste deu um exemplo para o país de que é possível fazer. Ali as casas são de qualidade, tem restaurante que serve a todos, as crianças estudam numa escola que nem no Rio de Janeiro existe uma escola pública semelhante. Tem transporte escolar. As crianças têm café da manhã, almoço, lanche à tarde e ainda levam para casa o pãozinho (um saquinho de pão). Todas têm uniforme, que é lavado e passado na lavanderia da escola (porque na casa delas não tem água); tratamento dentário; oftalmologistas; piscinas (uma delas olímpica); campo de futebol; brinquedoteca; aula de teatro; aula de computador enfim, elas têm acesso ao que há de melhor na educação: da pré-escola ao ensino fundamental. O Stédile me disse que não há em nenhum assentamento da reforma agrária uma escola como a nossa. Lula prometeu ir conhecer. Está devendo essa...

No coração, quem fala mais alto: Marcelo Crivela Senador, ou Marcelo Crivela Artista Gospel?
É o Pastor, que canta levando as pessoas ao encontro de Deus.

Como andam as obras do Projeto Morro da Providencia?
Muito bem! A idéia do Cimento Social é unir a cidade do Rio, que a exemplo de muitas outras no Brasil está dividida em duas, dentro de si mesma. Duas irmãs siamesas e monstruosas, que não vivem uma sem a outra. De um lado rica, do outro, abaixo da linha da pobreza. De um lado uma cidade formal e bonita e, numa distância constrangedora, as favelas indignas, onde crianças crescem com o estigma de cidadãos de segunda, vivendo uma sub-vida, num sub-mundo de frustrações. Daí vem a violência, que faz de todos nós reféns e atrasa nosso desenvolvimento econômico, social e cultural. A idéia do Cimento Social é ajudar as famílias que residem nas favelas a terminarem suas casas com estabilidade estrutural e funcionalidade arquitetônica - dentro da realidade local. Tenho realizado obras no Morro da
Providência (primeira favela do Brasil) com recursos próprios, para estabelecer um exemplo viável para os governos estaduais e municipais do Brasil.

Marcelo Crivela por Marcelo Crivela.
Um inconformado em ver que num país tão bonito e rico existe e persiste tanta miséria. Entrei para a política para construir um Brasil mais justo, um Brasil menos desigual. E isso começou com o governo do Presidente Lula e espero que continue com a Ministra Dilma.