Com a palavra, Marcelo Crivela


Com a agenda lotada de compromissos, entre uma reunião e outra, o Senador/Cantor/Compositor e Pastor Marcelo Crivela concede entrevista exclusiva ao jornalista Antonio Braga. Dentre outros assuntos, Crivela revela seus projetos como parlamentar, elogia o Presidente Lula e fala de sua carreira artística.


Existe um projeto seu sobre a Renovação das Concessões apenas para rádios adimplentes. Em que estágios está esse Projeto?
Está num estágio inicial e encontra resistência de alguns Senadores que são donos de emissoras de rádio e não querem pagar o Ecad. Seria importante que os artistas se mobilizassem para ajudar o projeto a andar. Segundo ouvi, 37% do Senado tem interesses diretos ou indiretos com rádios e esses acham que a cobrança dos direitos autorais é injusta. O político só consegue avançar nessas questões se tiver o apoio da classe interessada. Outras categorias mais politizadas, como a dos trabalhadores metalúrgicos, por exemplo, levam suas questões aos políticos e fazem pressão para que as coisas aconteçam. Os artistas são diferentes, são poetas, acham que as coisas vão se resolver como a chuva cai do céu ou como o sol nasce a cada manhã. Tem também aqueles artistas, já consagrados, que acham que vão bater de frente com emissoras de rádio e televisão e aí não vão mais tocar as músicas deles. O que deveria também acontecer é uma iniciativa de apoio ao projeto por parte das emissoras que pagam os direitos autorais, pois elas estão pagando pelas inadimplentes. Quanto maior o número de emissoras pagando menor fica o valor do ponto. Na época, apresentei o projeto ao Gilberto Gil, que era ministro, e poderia tornar esse projeto uma medida provisória, mas ele não o fez.

Carlos Colla e Michael Sullivan são seus parceiros mais constantes. Como começou a parceria com esses grandes autores?
O Sullivan... fomos vizinhos há muitos anos, no condomínio Santa Mônica (Barra da Tijuca). E, aí começou o contato. Depois gravei uma música dele chamada "Amor Maior" no CD que fiz pela Sony Music. A partir dali passamos a compor juntos. Mais tarde tive a oportunidade de ir com ele à Fazenda Nova Canaã onde passamos alguns dias e os nossos laços se estreitaram. Ele me ajudou muito a concluir esse projeto fazendo muitos shows por todo o Brasil. O Colla eu conheci mais tarde, através do Sullivan. Fizemos algumas parcerias, há uns 10 anos, quando estava gravando o CD 'Coração a Coração'. Foi uma afinidade muito grande, pois temos a mesma visão de Brasil.

Qual foi seu maior sucesso? Em que ano aconteceu? Quanto rendeu?
Eu não saberia dizer qual foi o maior sucesso. O CD que mais vendeu foi o 'Mensageiro da Solidariedade', na época que estávamos construindo a Fazenda Canaã - o primeiro pela Sony Music - que vendeu um milhão e meio de cópias. Antes dele também tive um CD que vendeu mais de um milhão de cópias, pela Line Re-cords, 'Perfume Universal' e acho que essa é a música de maior sucesso, pois tem versões em várias partes do mundo.

O senhor já esteve entre os autores de maior rendimento junto ao Ecad, ficando atrás apenas de Roberto Carlos. Atribui esse sucesso ao crescimento da música gospel ?
Atribuo isso a imensa generosidade do público gospel que, evidentemente, cresce na mesma proporção que a qualidade da música gospel evolui.

Quantos discos o artista Marcelo Crivella já vendeu até hoje?
Mais de 10 milhões - contando aqui e na África. Na África ganhei um disco de ouro gravado pela EMI, em 1997/98.

Vamos entrar um pouco em política, já que o artista Marcelo Crivela também é Senador da República. Como o Senador está posicionado referente à pirataria?
Há um grande esforço no congresso para conter a pirataria, que não ajuda ninguém e prejudica os autores, os músicos, a indústria fonográfica e o governo. Quando alguém compra um produto pirata está prejudicando todo mundo e a si mesmo. Está admitindo um crime, e fazendo parte da margi-nalidade que cresce no país. Falta consciência coletiva. Isso aumenta a pobreza. O Governo Lula tem dado uma boa contribuição para abaixar a pirataria com o aumento de emprego. Na crise que nós tivemos do petróleo, na década de 70, aumentou em um milhão o número de pobres no Brasil. Na época da hiperinflação, do Presidente Sarney, aumentou em dois milhões. Na época da crise cambial, do Presidente Fernando Henrique Cardoso, aumentou em milhares o número de pobres. Com o Lula, mesmo com a crise financeira mundial acentuada, nós criamos empregos. No mês de setembro criamos 250 mil empregos com carteira assinada. O Governo Lula é campeão em geração de empregos. Diminui a pobreza, diminui a pirataria.

O Projeto Canaã, sustentado, inicialmente, pela venda de seu primeiro disco, hoje é modelo para quaisquer outros projetos que vise aproveitar terras do semi-árido nordestino. O governo, a partir do seu empreendimento, fez alguma coisa semelhante pelo nordeste? O que faltou, na sua opinião, para que outros 'Canaãs' acontecessem?
Eu conversei com duas pessoas importantes sobre a reforma agrária brasileira e sobre a Fazenda Canaã: uma foi o Presidente da República e o outro foi João Pedro Stédile (líder do MST). O Stédile ficou maravilhado. Hoje no Brasil existem seis mil assentamentos da reforma agrária, a maioria deles são favelas rurais, onde não têm assistência médica, não têm formação técnica, não têm apoio à produção. O Projeto Nordeste deu um exemplo para o país de que é possível fazer. Ali as casas são de qualidade, tem restaurante que serve a todos, as crianças estudam numa escola que nem no Rio de Janeiro existe uma escola pública semelhante. Tem transporte escolar. As crianças têm café da manhã, almoço, lanche à tarde e ainda levam para casa o pãozinho (um saquinho de pão). Todas têm uniforme, que é lavado e passado na lavanderia da escola (porque na casa delas não tem água); tratamento dentário; oftalmologistas; piscinas (uma delas olímpica); campo de futebol; brinquedoteca; aula de teatro; aula de computador enfim, elas têm acesso ao que há de melhor na educação: da pré-escola ao ensino fundamental. O Stédile me disse que não há em nenhum assentamento da reforma agrária uma escola como a nossa. Lula prometeu ir conhecer. Está devendo essa...

No coração, quem fala mais alto: Marcelo Crivela Senador, ou Marcelo Crivela Artista Gospel?
É o Pastor, que canta levando as pessoas ao encontro de Deus.

Como andam as obras do Projeto Morro da Providencia?
Muito bem! A idéia do Cimento Social é unir a cidade do Rio, que a exemplo de muitas outras no Brasil está dividida em duas, dentro de si mesma. Duas irmãs siamesas e monstruosas, que não vivem uma sem a outra. De um lado rica, do outro, abaixo da linha da pobreza. De um lado uma cidade formal e bonita e, numa distância constrangedora, as favelas indignas, onde crianças crescem com o estigma de cidadãos de segunda, vivendo uma sub-vida, num sub-mundo de frustrações. Daí vem a violência, que faz de todos nós reféns e atrasa nosso desenvolvimento econômico, social e cultural. A idéia do Cimento Social é ajudar as famílias que residem nas favelas a terminarem suas casas com estabilidade estrutural e funcionalidade arquitetônica - dentro da realidade local. Tenho realizado obras no Morro da
Providência (primeira favela do Brasil) com recursos próprios, para estabelecer um exemplo viável para os governos estaduais e municipais do Brasil.

Marcelo Crivela por Marcelo Crivela.
Um inconformado em ver que num país tão bonito e rico existe e persiste tanta miséria. Entrei para a política para construir um Brasil mais justo, um Brasil menos desigual. E isso começou com o governo do Presidente Lula e espero que continue com a Ministra Dilma.
Padre Fábio de Melo:
O fenômeno da atualidade


Padre Fábio de Melo, nascido em 3 de abril de 1971, filho do construtor Dorinato Bias da Silva e da dona de casa Ana Maria Melo Silva, cresceu em Formiga, MG, com seus oito irmãos, sendo Fábio o caçula. Aos 16 anos entrou para o seminário em Lavras, MG. Desde criança despontou o desejo de ser padre.
Hoje, ídolo da música cristã, já colocou no mercado 12 discos - 10 de ouro, sendo também dentre estes, 4 de platina - e um DVD de Diamante. "Eu e o Tempo", lançado em maio pela LGK Music.
O CD "Vida", de 2008 e o recente CD/DVD contam com a regravação da música 'Pai', de autoria de Fábio Jr, que jamais havia autorizado qualquer outro artista a gravá-la:
'Não conheço pessoalmente o Fábio jr, porém admiro muito seu trabalho. "Pai" é de uma sensibilidade incrível, que retrata a saudade a partir do cotidiano - "Senta aqui que o jantar está na mesa" - este convite é lindo!! A mesa é o lugar da intimidade, da devolução. Fábio Jr é um artista completo um dos mais bem sucedido do país', ressalta.
Segundo Padre Fábio de Melo, o sucesso da música católica deve-se ao Padre Zezinho: 'É impossível falar de música católica sem nos reportarmos à sua obra. Ele é o grande precursor de tudo o que hoje experimentamos', explica
Nascido na mesma cidade que o escritor Silviano Cavalcanti e leitor confesso do mesmo. 'Já li "Vale quanto pesa", "Uma literatura nos trópicos", " Herança", e a belíssima obra "Em liberdade", em que o autor investiga a alma de Graciliano Ramos após a experiência do cárcere', declara.
Padre Fábio de Melo também escreveu alguns livros como: 'Tempo, saudades e esquecimentos' - Ed Paulinas - livro de crônicas que trabalha algumas questões teológicas a partir do cotidiano; ' Amigo - Somos muitos, mesmo sendo dois' - Ed Gente - livro de frases e fotos que fala de amizade; 'Quem me roubou de mim?' - Ed Canção Nova - trata das relações que despersonalizam; 'Mulheres de aço e de flores' - Ed Gente - primeira obra de literatura do autor - contos que exploram o universo feminino e 'Quando o sofrimento bater à sua porta' - Ed Canção Nova - aborda a questão do sofrimento na vida humana e "Cartas entre amigos - sobre medos contemporâneos", com Gabriel Chalita - da Ediouro.
'A música é um importante instrumental para o trabalho de evangelização e também concilia o meu ser 'padre' com minha musicalidade. Assim, o cotidiano dos seres humanos me inspira a cada composição. Não há, no meu dia-a-dia nada de mais, porém a arte permite enxergar além da beleza e de todas as realidades. Deus mora na simplicidade.
Realizando meu trabalho, inevitavelmente, como padre, tenho que atender pedidos de emissoras de televisão e outros meios de comunicação, o que me coloca em evidência. Faz parte. É também uma forma mais rápida de levar a fé ao mundo.
O sucesso do nosso trabalho, e digo nosso me referindo a outros Padres que o fazem - como o Padre Marcelo Rossi, por exemplo - é saber que esse trabalho fez alguém feliz - essa é a meta principal, o resto é conseqüência', analisa.
Perguntado numa entrevista sobre a notoriedade que ganhou com seu último trabalho, Padre Fábio de Melo responde:
'Tornar público o meu jeito de evangelizar é uma forma de me comprometer ainda mais com a seriedade que eu preciso ter.

Um líder religioso atua num limite muito tênue entre imagem pessoal e conteúdo que anuncia. O grande problema é a notoriedade que pode me fazer esquecer quem eu sou. É contra isso que preciso lutar'.
No repertório de seus discos e shows músicas não evangelizadoras, de autores populares como Fábio Jr, Carlos Colla dentre outros, aparecem e fazem grande sucesso na interpretação de Fábio de Melo. Questionado sobre o assunto, e sobre a posição da igreja, explica:
'Canto músicas con-textualizadas no horizonte cristão. A boa música brasileira é naturalmente religiosa, pois une poesia, valores e belas melodias. A Igreja não se opõe aos que anunciam o Evangelho com seriedade. Procuro fazê-lo da melhor forma possível'.
Padre Fábio de Melo estudou Filosofia, Educação, Teologia, é professor universitário, e alega que fez tudo isso para qualificar seu discurso. Em sua opinião, 'Padre tem que ter cultura para atender e entender bem a sociedade'.
Considerado um Padre bonitão, que tira suspiros das fãs fiéis, reluta contra o adjetivo e replica dizendo que: 'o sucesso incomoda quando é reduzido à minha aparência'. Fica triste quando as pessoas julgam-no sem o conhecerem. Entretanto entende, pois todo mundo que é público sofre com esse problema.

Como era no seminário? Podia cantar suas músicas? Como foi que conseguiu fazer uma carreira artística? Essas perguntas são constantes em suas entrevistas. Sereno, como sempre, responde: 'No seminário nunca fui do tipo convencional. Fui buscando minha autenticidade, pois o risco de se viver em comunidade é tender à desperso-nalização. Rezei para não me perder de mim mesmo. Mostrei meus dons e fiz entender que poderiam ajudar na evangelização'.
12 discos - 10 de ouro, 4 de platina e DVD de Diamante. Onde o Padre Fábio de Melo encontrou esse público? Todos os seus discos estavam focados na Evangelização. Teve ótimos produtores que deram o melhor de si, cada um. Gravou projetos culturais (2) resgatando músicas de raiz, e um outro projeto chamado "Tom de Minas" - homenagem à terra natal. Quem é o seu público? São desde as crianças aos idosos, enfim, todos nós.
E a batina? Por que o Padre não usa a batina nos shows? A identidade de um padre não está no seu jeito de vestir, e sim no seu jeito de viver. 'Não uso batina', declara.
A pergunta final da entrevista foi a seguinte:
A evangelização está passando pela internet. Vale qualquer tipo de meio de comunicação para atingir os objetivos de levar a mensagem de Cristo ao mundo?
E a resposta foi essa: Vale, claro. No tempo de Cristo só existia a palavra. Para se ter uma idéia, só neste mês tivemos quase três milhões de acessos no meu blog. Uma palavra pode mudar uma vida. O bem a ser feito começa no bem a ser dito.
Parabéns Padre Fábio de Melo, pelo belo trabalho de evangelização e pelo lindo CD/DVD.
(Antonio Braga)


PADRE FÁBIO DE MELO - EU E O TEMPO
CD / DVD - LGK MUSIC
Padre Fábio de Melo, Mestre em Antropologia Teológica, foi ordenado Padre em 2001 e atua na Diocese de Taubaté, interior de São Paulo. Como cantor, gravou discos pela Paulinas-Comep e seu primeiro discos por uma gravadora secular, "Vida", lançado em 2008 pela LGK Music / Som Livre alcançaram a impressionante marca de 800 mil cópias vendidas.
Autor de vários livros (que já se tornaram best-sellers) Padre Fábio também exerceu a profissão de professor universitário, lecionando Teologia na Faculdade de Taubaté. Também apresenta o programa Direção Espiritual, na TV Canção Nova, toda quinta-feira, às 22:30 horas. Gravado no Canecão (RJ) no dia 08 de janeiro de 2009, chegou às lojas de todo o Brasil o mais recente lançamento do Padre, "Eu E O Tempo", pela LGK Music, trazendo o registro ao vivo da turnê "Vida", em CD e DVD. O CD, com 15 faixas, produzido por Liber Gadelha, traz os hits que fizeram com que o último trabalho do Padre alcançasse picos de venda e execuções em rádio: 'Tudo é do Pai", "Humano Demais", "Pai", "Vida", entre outras. Com arranjos e regências de Mauricio Pasiacollo, "Eu e o Tempo" é um belo disco onde o grande pastor de almas dos dias de hoje nos brinda com sua bela voz e nos conduz para as altas esferas de Deus, e que com suas palavras simples traz mensagens ao corações carentes. Já o DVD traz a íntegra do show, separado por quadros temáticos: o primeiro momento do espetáculo é a festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo desce sobre a Terra e as canções que ilustram este momento são: "As Estações da Vida" (Fábio de Melo); "Ruah, Um Sopro de Vida" (Edu Colvara/André Costa/Rodrigo Grecco); "Vida" (Rosa Giron/C.Gomez/Escolar/Claudio Rabello); "Tudo é do Pai" (Frederico Cruz).
O segundo quadro é o Advento, quando o Espírito se prepara para a Glória, e é resumido nestas canções: "Mais Perto" (Fábio de Melo); "Eu Espero" (Fábio de Melo); "Tudo Posso" (Celina Borges) e "Todo Homem é Bom" (Rodrigo Grecco). No terceiro quadro vem a Epifânia, afirmação da Fé, descrito nas músicas: "Cântico das Criaturas" (D.P.); "Cara de Família" (Rodrigo Grecco); "Deus é Pai" (Fábio de Melo), " Pai" (Fábio Jr.) e "O Caderno" (Toquinho/Lupiscinio Rodrigues). O Quarto momento é a Quaresma, tempo de penitência, sacrifício e humildade: "Humano Demais" (Fábio de Melo); "Contrários" (Fábio de Melo) e "Tem Calma" (Martin Valverde/Fabio de Melo). O Novo tempo é a Páscoa, que representa a Ressurreição, a volta do Pai: "Deus é Capaz"(Walmir Alencar); "Arvoreando"(Maninho) e "Humano Amor de Deus" (Fábio de Melo). E, fechando o ciclo volta-se à festa de Pentecostes, onde mais uma vez os raios divinos são espargidos sobre o povo. É o grande momento de todos cantarem juntos "Mil Vezes Santo" (Fábio de Melo). O DVD traz ainda entrevistas, making of do show, galeria de fotos, discografia com várias opções de legenda e áudio, além de um bonus track: "Filho do Céu". (L. Anchieta)


Com a palavra, Marcelo Crivela


Com a agenda lotada de compromissos, entre uma reunião e outra, o Senador/Cantor/Compositor e Pastor Marcelo Crivela concede entrevista exclusiva ao jornalista Antonio Braga. Dentre outros assuntos, Crivela revela seus projetos como parlamentar, elogia o Presidente Lula e fala de sua carreira artística.


Existe um projeto seu sobre a Renovação das Concessões apenas para rádios adimplentes. Em que estágios está esse Projeto?
Está num estágio inicial e encontra resistência de alguns Senadores que são donos de emissoras de rádio e não querem pagar o Ecad. Seria importante que os artistas se mobilizassem para ajudar o projeto a andar. Segundo ouvi, 37% do Senado tem interesses diretos ou indiretos com rádios e esses acham que a cobrança dos direitos autorais é injusta. O político só consegue avançar nessas questões se tiver o apoio da classe interessada. Outras categorias mais politizadas, como a dos trabalhadores metalúrgicos, por exemplo, levam suas questões aos políticos e fazem pressão para que as coisas aconteçam. Os artistas são diferentes, são poetas, acham que as coisas vão se resolver como a chuva cai do céu ou como o sol nasce a cada manhã. Tem também aqueles artistas, já consagrados, que acham que vão bater de frente com emissoras de rádio e televisão e aí não vão mais tocar as músicas deles. O que deveria também acontecer é uma iniciativa de apoio ao projeto por parte das emissoras que pagam os direitos autorais, pois elas estão pagando pelas inadimplentes. Quanto maior o número de emissoras pagando menor fica o valor do ponto. Na época, apresentei o projeto ao Gilberto Gil, que era ministro, e poderia tornar esse projeto uma medida provisória, mas ele não o fez.

Carlos Colla e Michael Sullivan são seus parceiros mais constantes. Como começou a parceria com esses grandes autores?
O Sullivan... fomos vizinhos há muitos anos, no condomínio Santa Mônica (Barra da Tijuca). E, aí começou o contato. Depois gravei uma música dele chamada "Amor Maior" no CD que fiz pela Sony Music. A partir dali passamos a compor juntos. Mais tarde tive a oportunidade de ir com ele à Fazenda Nova Canaã onde passamos alguns dias e os nossos laços se estreitaram. Ele me ajudou muito a concluir esse projeto fazendo muitos shows por todo o Brasil. O Colla eu conheci mais tarde, através do Sullivan. Fizemos algumas parcerias, há uns 10 anos, quando estava gravando o CD 'Coração a Coração'. Foi uma afinidade muito grande, pois temos a mesma visão de Brasil.

Qual foi seu maior sucesso? Em que ano aconteceu? Quanto rendeu?
Eu não saberia dizer qual foi o maior sucesso. O CD que mais vendeu foi o 'Mensageiro da Solidariedade', na época que estávamos construindo a Fazenda Canaã - o primeiro pela Sony Music - que vendeu um milhão e meio de cópias. Antes dele também tive um CD que vendeu mais de um milhão de cópias, pela Line Re-cords, 'Perfume Universal' e acho que essa é a música de maior sucesso, pois tem versões em várias partes do mundo.

O senhor já esteve entre os autores de maior rendimento junto ao Ecad, ficando atrás apenas de Roberto Carlos. Atribui esse sucesso ao crescimento da música gospel ?
Atribuo isso a imensa generosidade do público gospel que, evidentemente, cresce na mesma proporção que a qualidade da música gospel evolui.

Quantos discos o artista Marcelo Crivella já vendeu até hoje?
Mais de 10 milhões - contando aqui e na África. Na África ganhei um disco de ouro gravado pela EMI, em 1997/98.

Vamos entrar um pouco em política, já que o artista Marcelo Crivela também é Senador da República. Como o Senador está posicionado referente à pirataria?
Há um grande esforço no congresso para conter a pirataria, que não ajuda ninguém e prejudica os autores, os músicos, a indústria fonográfica e o governo. Quando alguém compra um produto pirata está prejudicando todo mundo e a si mesmo. Está admitindo um crime, e fazendo parte da margi-nalidade que cresce no país. Falta consciência coletiva. Isso aumenta a pobreza. O Governo Lula tem dado uma boa contribuição para abaixar a pirataria com o aumento de emprego. Na crise que nós tivemos do petróleo, na década de 70, aumentou em um milhão o número de pobres no Brasil. Na época da hiperinflação, do Presidente Sarney, aumentou em dois milhões. Na época da crise cambial, do Presidente Fernando Henrique Cardoso, aumentou em milhares o número de pobres. Com o Lula, mesmo com a crise financeira mundial acentuada, nós criamos empregos. No mês de setembro criamos 250 mil empregos com carteira assinada. O Governo Lula é campeão em geração de empregos. Diminui a pobreza, diminui a pirataria.

O Projeto Canaã, sustentado, inicialmente, pela venda de seu primeiro disco, hoje é modelo para quaisquer outros projetos que vise aproveitar terras do semi-árido nordestino. O governo, a partir do seu empreendimento, fez alguma coisa semelhante pelo nordeste? O que faltou, na sua opinião, para que outros 'Canaãs' acontecessem?
Eu conversei com duas pessoas importantes sobre a reforma agrária brasileira e sobre a Fazenda Canaã: uma foi o Presidente da República e o outro foi João Pedro Stédile (líder do MST). O Stédile ficou maravilhado. Hoje no Brasil existem seis mil assentamentos da reforma agrária, a maioria deles são favelas rurais, onde não têm assistência médica, não têm formação técnica, não têm apoio à produção. O Projeto Nordeste deu um exemplo para o país de que é possível fazer. Ali as casas são de qualidade, tem restaurante que serve a todos, as crianças estudam numa escola que nem no Rio de Janeiro existe uma escola pública semelhante. Tem transporte escolar. As crianças têm café da manhã, almoço, lanche à tarde e ainda levam para casa o pãozinho (um saquinho de pão). Todas têm uniforme, que é lavado e passado na lavanderia da escola (porque na casa delas não tem água); tratamento dentário; oftalmologistas; piscinas (uma delas olímpica); campo de futebol; brinquedoteca; aula de teatro; aula de computador enfim, elas têm acesso ao que há de melhor na educação: da pré-escola ao ensino fundamental. O Stédile me disse que não há em nenhum assentamento da reforma agrária uma escola como a nossa. Lula prometeu ir conhecer. Está devendo essa...

No coração, quem fala mais alto: Marcelo Crivela Senador, ou Marcelo Crivela Artista Gospel?
É o Pastor, que canta levando as pessoas ao encontro de Deus.

Como andam as obras do Projeto Morro da Providencia?
Muito bem! A idéia do Cimento Social é unir a cidade do Rio, que a exemplo de muitas outras no Brasil está dividida em duas, dentro de si mesma. Duas irmãs siamesas e monstruosas, que não vivem uma sem a outra. De um lado rica, do outro, abaixo da linha da pobreza. De um lado uma cidade formal e bonita e, numa distância constrangedora, as favelas indignas, onde crianças crescem com o estigma de cidadãos de segunda, vivendo uma sub-vida, num sub-mundo de frustrações. Daí vem a violência, que faz de todos nós reféns e atrasa nosso desenvolvimento econômico, social e cultural. A idéia do Cimento Social é ajudar as famílias que residem nas favelas a terminarem suas casas com estabilidade estrutural e funcionalidade arquitetônica - dentro da realidade local. Tenho realizado obras no Morro da
Providência (primeira favela do Brasil) com recursos próprios, para estabelecer um exemplo viável para os governos estaduais e municipais do Brasil.

Marcelo Crivela por Marcelo Crivela.
Um inconformado em ver que num país tão bonito e rico existe e persiste tanta miséria. Entrei para a política para construir um Brasil mais justo, um Brasil menos desigual. E isso começou com o governo do Presidente Lula e espero que continue com a Ministra Dilma.

Erasmo Carlos - 50 anos de carreira


Erasmo lança safra de inéditas - rock do bom

Erasmo Carlos é o ícone maior de uma geração que viu brotar o estilo Rock n’ Roll nacional. O Tremendão, completa 68 anos, 50 de carreira e finalmente lança disco com faixas inéditas, novos parceiros, confirmando as palavras da Sra. Lee Jones que afirma ser Erasmo o Pai do Rock!

O CD "Rock 'n' Roll" vem com rock básico com inspirações sessentistas/setentistas, humor e romantismo, características básicas de sua obra. "Eu me cobrava isso junto aos meus fãs que me davam até bronca. Queriam mais guitarras do que teclados. Estava devendo isso ao meu público", entrega Erasmo.
Para concretizar o disco, Erasmo chamou o produtor Liminha, que não precisa de apresentações. O ex-Mutante além de produzir, toca guitarra, baixo, ukelele. Dadi (Novos Baianos, A Cor do Som, Marisa Monte, Jorge Benjor e tantos outros) toca guitarra e baixo, Cesinha está na bateria e Alex Veley nos teclados. Pedro Dias e Luiz Lopez, da banda Filhos de Judith, fazem os vocais. Essa é a banda básica, mas tem outros convidados como seu filho - o baterista Gil Eduardo, o paralâmico João Barone e o guitarrista Billy Brandão.
"Rock 'n' Roll" tem cinco músicas do próprio Erasmo - "Jogo Sujo", "Cover", "Olhar de Mangá", "Vozes da Solidão" e "Encontro às Escuras". Duas com cada parceiro: Nando Reis, Chico Amaral e Nelson Motta; e uma com Liminha.
Em entrevista, na sua residência, no Rio de Janeiro, Barra da Tijuca, o Tremendão fala sobre o disco e outras coisas.

Como foram aparecendo essas parcerias?
Quando vi, já tinha 25 músicas. Uma leva boa e inspirada, idéias acumuladas em dois anos. Foi então que revolvi gravar tudo em casa mesmo, fazer uma pré-produção. Comecei a preparar e escolher os temas e separar as melhores. Com as melhores idéias resolvi pedir ajuda aos amigos. De repente vem uma idéia melhor ainda de Nelson Motta. Pego a melhor idéia do outro, junto tudo e faço um bom disco. O Nelson Motta é um cara que convivo há muito tempo e admiro. Já gravei música dele com Lulu Santos, mas nunca fizemos nada juntos. Quando liguei, ele estava em Portugal, disse para eu mandar as melodias. Ele fez a primeira lá e depois fez a segunda aqui: "Chuva Ácida" e "Noturno Carioca".
O Nando Reis é um cara que eu gosto muito e tem um violão de marcação que eu adoro! Pra mim é a melhor marcação de violão do Brasil! Nós gravamos "De Noite na Cama", no disco do Zeca Pagodinho - "Casa de Samba". Nesse dia comentamos que tínhamos que fazer algo juntos. Lembrei e liguei para ele, que estava agulhado na gravação do disco novo e mesmo assim, conseguiu um tempo para fazer duas músicas comigo: "Um Beijo é um Tiro" e "Mar Vermelho".
Sou fã do Chico Amaral, letrista do Samuel, do Skank, que já tinha me homenageado com a música "Erasmo Carlos de Roterdan". Através do Fernando Furtado, empresário do Skank, cheguei até ele. Compôs duas letras lindas e maravilhosas: "Noite Perfeita" e "A Guitarra é uma Mulher".
O Liminha, geralmente, não faz letra, mas fez! Eu disse para fazer a letra e ele disse que não fazia, eu disse que ele ia fazer e ele fez! (risos) Eu amo essas coisas, essas experiências de juntar as pessoas! Acho que é daí que saem coisas boas. Então, ele é casado com a Patrícia Travassos, foram à praia, viram uma gostosa, ou várias gostosas e desenvolveram a letra de "Celebridade". Todos fizeram as letras, as melodias são minhas.
E as músicas que sobraram?
Desta leva de músicas dei uma para o Sérgio Dias, dos Mutantes. Ele ligou da França pedindo uma música e a Bia, que agora é a vocalista dos Mutantes, fez a letra. As outras ficaram para trás como tantas.

Como foi o reencontro com Liminha?
Conheço desde os tempos dos Mutantes e Jovem Guarda. Ele gravou "Carlos, Erasmo" e "Pelas esquinas de Ipanema". Tivemos uma banda juntos: Cia. Paulista de Rock', nos anos 70. Montamos essa banda para o Hollywood Rock que virou um filme underground. Sempre estamos juntos por tabela. Convidei por sugestão do Marcos Kilzer. Era a hora certa! Sempre teve esse namoro como produtor e artista, mas nunca havia tido a oportunidade de se concretizar.

A banda que toca no disco é de craques...
Foi o Liminha quem organizou a maratona! Este disco foi feito de baixo para cima. Ele veio aqui em casa perguntou sobre as músicas e mostrei tudo que tinha feito com minha bateria eletrônica e violão, tudo com início meio e fim. Ele teve sensibilidade, foi a primeira vez que aconteceu comigo, de pegar o meu material, levar para o estúdio e falar: "Agora nós vamos fazer a mesma coisa que você fez na sua casa". Ligamos a bateria eletrônica e continuei a fazer a mesma coisa, ele pegou o baixo, chamou o Dadi e ficamos brincando. Desta brincadeira nasceu à base. Ele começou a cobrir com guitarras, colocou o baixo verdadeiro, o Cesinha substituiu a bateria eletrônica. Sentimos necessidade de colocar uns vocais. Ele me apresentou Os Filhos da Judith. Foi uma surpresa maravilhosa! Engraçado que digo que são três meninos maravilhosos, mas estou me referindo aos vocais! E nos vocais são dois - Filhos da Judith e fica tudo certo. Foi grande surpresa! Cheguei a vê-los no Youtube e aprovei! Só tem teclado em uma ou outra coisa espalhada que o Liminha fez. É basicamente um disco de guitarra.

O João Barone e Gil Eduardo também estão no disco...
É! Chegou na hora do ska "Celebridade" que é a música que fiz com Liminha. Ele sugeriu chamar o Barone pois achava que tinha a cara dele. Foi ótimo! Chamei também meu filho, Gil Eduardo, para fazer uma faixa "Noite Perfeita". Ele gravou o disco inteiro do Big Gilson e está fazendo os shows. Foram esses; Cesinha, João Barone e Gil Eduardo, os três bateristas do disco.

É o primeiro disco de rock depois do "Buraco Negro", ou você compara com o "Carlos, Erasmo"?
Não sei. O "Carlos, Erasmo" virou antológico depois de 30 anos. Então, só daqui a 30 anos que vamos saber (risos). O que este jornalista, talvez, queira dizer é que este disco é todo voltado para o rock 'n' roll (ritmo que eu nunca deixei de gravar). Como sou um compositor brasileiro tenho muitas influências. Tenho 68 anos e vi brotar muitos gêneros musicais e senti a magia de presenciar o 'nascendo'. É diferente de hoje! A geração de agora quer informação sobre 'twist', vai ouvir e analisar friamente com a cabeça de agora e pode dizer: É isso que é twist? Esperava que fosse... Eu não! Vivi a magia de ver nascer o ritmo, dança, a coisa no mundo inteiro! O Twist, por exemplo, diziam que fazia mal para a coluna, proibiram a dança. Como o 'rock', que fazia mal porque era coisa do Diabo! O mambo, tcha tcha tcha, calípso, bossa nova... Sofri essas influências todas, sou diferente de um roqueiro inglês ou um roqueiro americano que só têm aquela batida que vem do skiffle, fox trote, blues, mas no fundo é tudo a mesma batida com instrumento diferente e mais lento. Aqui é uma mistureba danada! É normal eu fazer um disco que tem rock, mas que tenha samba e daqui a pouco têm isso, tem aquilo... Este disco é voltado para o rock igual ao "Carlos, Erasmo", "Projeto Salva Terra" e "Buraco Negro".

Você acha que a MPB é algo elitista?
Eu vejo a MPB rica. No meu início ninguém tinha escolaridade e ninguém tinha instrumento. Para gravar com baixo elétrico foi um problema! As guitarras eram todas amarradas com arames! Não se fazia shows em praças públicas porque não havia aparelhagem adequada para que todos ouvissem! Eram shows em lugares pequenos como; circos, clubes, boates, cinemas. Hoje em dia vem todo mundo empunhado de 'Fender' para cima! A maioria fala inglês e tem a mania, muito grande, de gravar em inglês! Eu não vejo nenhum inglês gravando em português! Mas todo mundo quer gravar em inglês! Acho excesso de babação de ovo com o estrangeiro aqui no Brasil! Então, eles vêm com tudo em cima! É natural que isso reflita na música. Sendo que pode ser um pouco elitista no estilo deles, evitando coisas comuns! Evitam por exemplo; os pontos comuns que eu falo. Não sou poeta, sou um contista que usa algumas imagens poéticas para melhorar meu conto. Quem assume realmente a poesia, que é o que o que existe na MPB de hoje em dia, já fica com outra responsabilidade que para mim quer dizer poeta! Poesia é uma coisa que pouca gente conhece! A escolaridade no Brasil ainda é limitada! Por exemplo; eu acredito que se você chegar para uma mulher do povo e falar: Ontem as estrelas me disseram da sua incompetência total perante a vida maravilhosa que Deus deu para você! Porque o azul celeste de seus cabelos, pífios, sejam eternos enquanto durar o amor que não tenho por você! Quero dizer o seguinte; se você falar mal da mulher com palavras bonitas, ela vai chorar e vai te agradecer! Muito obrigado você é lindo, é maravilhoso... Isso é problema de escolaridade com a poesia! Eu uso isso também! Estou falando, mas não estou fora do saco! As Estrelas, o Mar, o Arco-Íris, o Sol, as Nuvens, maquiam qualquer tipo de poesia, por isso todo mundo vai nessa. Eu já prefiro contar uma coisa mais entendível.

Esse disco não tem nenhuma parceria com Roberto Carlos...
Não é segredo nenhum que com a morte da Maria Rita ele abriu a parceria dizendo - Não quero mais... palavras íntimas sou eu que digo, não quero abrir com ninguém. Isso já é mais do que sabido! Então, ele não grava mais, todo ano não grava, não tem disco novo, esse ano vai sair parcerias da Globo, o disco de Miami... Ele não tem gravado e nós não temos quase trabalhado. Tem três músicas inéditas, que foram feitas há quatro anos, que deverá sair em seu disco novo.

E o "Cover" do eu mesmo?
Sou fascinado por covers! Cover me desperta uma curiosidade muito grande! Quando falo cover, digo o cara que tem isso como profissão! O cara rouba a identidade do original. Tem certos covers que a partir do momento que ele levanta da cama, já é outra pessoa. Veste-se igual, fala igual, faz trejeitos. Sou um estudioso para fazer minhas músicas e estudo personalidades e isso me fascina! Nas minhas viagens pelo mundo fiquei impressionado com a quantidade de covers de Elvis Presley que vi em Los Angeles! Vi, através dos tempos, Elvis negro, mulher, japonês, criança, bebê e vi Elvis anão! É a força do mito! Aqui no Brasil o que têm de covers de Roberto Carlos e Raul Seixas é impressionante! Eu tenho foto com esses covers! Michael Jackson que tem uma personalidade estranha e Beatles tem para caramba! Tem do Carlitos, Marilyn Monroe... Tem covers da vários tipos!! Mas reparei que não tem nenhum cover do Erasmo Carlos! (risos). Pensei: que artista que eu sou? Não tenho nenhum cover? Mas isso não vai ficar assim! (risos) Vou ser cover de mim mesmo, sou geminiano, sou dois. Fiz a música de um cara imaginando ser cover dele mesmo. Claro que é uma grande brincadeira! (risos)

A banda que fará os shows de lançamentos será a mesma do disco?
Não tem como. Estou montando minha banda para cair na estrada em agosto. Na próxima semana começarei a montar o grupo que vai tocar.

Rock 'n' Roll poderá gerar um DVD?
Pode. Será uma conseqüência do trabalho, já que vou cair na estrada. Já que agora é assim! Mas não tem nada programado.

Rita Lee falou que você é o 'Pai do Rock Brasileiro'.
Não! Esse negócio pode dar problema! (risos) Sou apenas um compositor que faço minhas músicas, canto e me jogo nos braços da estrada. Não tenho essa pretensão e não sou chegado a este tipo de glamour. Não se esqueça que a Rita é brincalhona igual a mim! No disco dela eu a chamo de rainha, de mito, de tudo! Ela é uma maravilha de mulher! Nós trocamos, este ano, apresentações de discos. Eu apresentei o "Multishow ao Vivo" que ela fez e ela apresentou este meu novo disco. Então, é uma troca de elogios rasgados, ou melhor, customizados, para ficar mais moderno! (risos)

"Erasmo convida II" - 2007, tem como fazer uma comparação com o primeiro "Erasmo convida" - 1980?
O primeiro tinha um pouco de ineditismo por contar com tantos convidados famosos e foi fácil, a maioria era da mesma gravadora. Tínhamos estúdio à disposição a qualquer hora do dia ou da noite! Não tinha problema de tempo e nem de esperar! O Gilberto Gil demorou seis meses! Ele morava na Bahia e tive que esperá-lo vir ao Rio para gravar! Foi mais fácil nessa área! O segundo foi mais complicado por causa de horário, tempo, grana! Pagamentos dos músicos... Foi meio apertado, mesmo assim esperamos o Chico Buarque que estava em plena temporada Européia e achamos uma brecha. Marisa Monte também estava em turnê e conseguiu um tempinho. Este disco foi mais complicado nesses termos, mas foi satisfatório. Eu impus certas regras de não se repetir música para não haver comparações e depois não saírem por aí dizendo que "A versão do fulano é melhor do que a do beltrano!". Repetir artistas também não! Outro time e outras músicas. Muita gente poderia ter participado do primeiro - como Chico Buarque, Milton Nascimento, mas, por questões, na época, não foi possível. Fiquei satisfeito com o resultado de ambos. O primeiro vendeu mais e foi mais comentado. A realidade atual é diferente da época que foi lançado o primeiro.

68 anos, super atual, fazendo disco de rock com músicas inéditas...
Cada pessoa é um universo diferente, cada pessoa procura seu espaço na medida em que pode ou na medida em que lhe é oferecida. Respeito muito essas coisas. A vida de cada um é a glória de cada um. Todos têm sua estrada. Mas eu tenho, por mim mesmo, tentar e gostar de novidades. Gosto do que faço e não gosto muito de ir junto com a maré. Aquele negócio de "oba oba"! "Vamos por aqui que está dando certo”. O novo me fascina! Procuro ser atual, até porque, na minha profissão tenho que estar atualizado e como ser humano tenho que evoluir e disputar de igual para igual, mas não faço questão de chegar na frente de ninguém. E tem, também, a responsabilidade da minha família: os meus filhos, os netos e tenho que conversar qualquer assunto que eles estejam falando, para não ficar marginalizado. Um dos grandes problemas da marginalização é você parar de fazer certas coisas e ir se isolando. O mundo continua e é muito cruel! Passa por cima de você igual a um trator e você fica estirado, igual ao desenho animado, feito papel gritando por socorro e ninguém vai te ouvir! O jeito é você andar para frente e olhar para trás porque o trator está vindo! Isso é o que eu acho.

Você se considera um jovem amadurecido?
Isso é muito engraçado de analisar porque por dentro sou sempre jovem. Tenho a idade que eu quiser. Tenho quatro netos, que vai de quatro até 15 anos. Tenho que ter assuntos para todos. A hierarquia daqui de casa se faz pela experiência e não pela força. É muita conversa. Tem os filhos que tem 30... 40 anos... Tenho essa riqueza de diversificação de faixas de idades para conviver e aprender. Sou linkado com o mundo em todos os assuntos. Desde histórias em quadrinhos, filmes, games ...

E a gravadora Coqueiro Verde?
Está indo legal. Não é minha praia. Eu deixo isso por conta do Leo (filho do Erasmo). A Coqueiro Verde é para lançar os meus discos, a minha concepção. A logística, o funcionamento, tudo, quem faz é ele junto com Marco Kilzer que é meu sócio. Sou um contratado da Coqueiro Verde. É uma coisa que sempre sonhei em ter, o meu próprio selo e lançar minhas músicas. Era meu desejo desde 1980 e nunca conseguia realizar. Hoje fico feliz em estar no mesmo time de Marisa Monte, Milton Nascimento, Roberto Carlos dentre outros que têm selo próprio.